Os intérpretes nos grandes impérios da antiguidade até hoje

Os Intérpretes ao longo da História

Postado por Cristina Achcar prof Tradutora intérprete

09 de Outubro de 2019

Referimo-nos, em muitas ocasiões, ao domínio da “interpretação”, às suas diferenças com a “tradução” e às aptidões que qualquer bom intérprete deve desenvolver. Neste artigo vamos nos aprofundar na história desta profissão e como, desde os primeiros tempos, ela evoluiu para o que conhecemos hoje. Porque, mesmo que algumas pessoas não acreditem, para encontrar o primeiro “intérprete é preciso voltar à Idade Antiga e, como não poderia deixar de ser, seu nome nunca aparecerá na história, pois naquela época eram pessoas completamente anônimas”.

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Embora a interpretação simultânea tenha suas origens nos julgamentos de Nuremberg, outros tipos de interpretação, como a “interpretação consecutiva” e sussurrada, tiveram grande relevância em diferentes períodos da história, a começar pela época antiga.

Os três grandes impérios da antiguidade sempre contaram com a existência desses personagens anônimos que em cada cultura tinham uma importância diferente e sua consideração era também das mais variadas.

Egito antigo: o intérprete superior.

Já no ano 1350 a.C. podemos encontrar evidência da existência destes profissionais em uma famosa imagem da tumba de Tutancâmon, na qual um personagem aparece desdobrado sussurrando de um lado para um embaixador assírio e do outro para o Faraó, mostra que o intérprete já naqueles tempos desempenhou um papel importante como mediador linguístico. Os primeiros testemunhos sobre esta profissão têm mais de 5.000 anos e incluem a sua intervenção crucial como guias comerciais, no campo militar e na administração central de Memphis.

Não foi em vão que aqueles capazes de prestar serviços linguísticos gozaram de grande estima, e mesmo os faraós chegaram ao ponto de conceder títulos de Intérprete Superior, títulos de grande relevância que se tornaram hereditários. Embora, em princípio, escravos e reféns fossem usados para exercer esta profissão, já no Império Médio começaram a eleger os filhos da nobreza egípcia, que haviam sido educados no exterior e os filhos de príncipes estrangeiros para exercer estas funções. No Novo Império, Heródoto confirma que as crianças egípcias foram entregues aos povos Jônico e Varic para aprenderem grego e depois dedicarem os seus esforços ao trabalho diplomático e comercial com cretenses e fenícios.

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Quando o Egito caiu nas mãos dos árabes, longe de desaparecer, os intérpretes se encarregaram de islamizar o território.

Grécia e Roma: diferentes perspectivas de interpretação.

Também podemos encontrar vestígios desta profissão nas antigas civilizações grega e romana, embora a reputação desfrutada pelos nossos colegas na antiguidade fosse bastante diferente. Enquanto no Império Romano eram figuras-chave na comunicação entre o Império, as colônias e os territórios conquistados, na Grécia helênica não gozavam de nenhum prestígio, pois embora garantissem o contato com os povos subjugados, os gregos se consideravam muito superiores aos povos bárbaros e esperavam que aprendessem seu idioma.

A Idade Média: o trujamán.

No âmbito das Cruzadas já podemos ver o intérprete em tarefas completamente diplomáticas, mas um dos papéis destes intérpretes irá desenvolver-se e evoluir durante a Idade Média para dar origem ao que conhecemos como trujamán ou dragomán. Estes intérpretes tinham características especiais e o seu papel na Idade Média estava mais relacionado com a esfera econômica e comercial do que com a esfera diplomática. A mudança da hegemonia política no Mediterrâneo dos reinos árabes para os povos cristãos levou à necessidade de manter relações internacionais entre duas culturas muito diferentes. A partir daí, o papel do trujamán será o de um intermediário linguístico entre os diferentes estados e colônias árabes e europeus.

O papel do intérprete também será crucial na conquista do Novo Mundo, onde encontraremos uma das primeiras intérpretes da época: Malinche. A história conta que esta princesa asteca, que falava tanto Maia como Nahuatl, foi dada ao nosso grande conquistador Hernán Cortés depois da batalha de Centla. Graças ao seu bilinguismo, será intérprete, conselheira e intermediária de Cortés e ajudará no processo de acusação de Montezuma e posterior execução.

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A Idade Moderna.

A hegemonia do latim prevaleceu até o século XVIII e a Paz de Vestefália, quando o francês se tornou a língua oficial da diplomacia até o fim da Primeira Guerra Mundial. Já no século 19, os Estados Unidos começarão a se revelar como uma grande potência econômica, e o inglês ganhará terreno. Consequentemente, a importância dos intérpretes aumentará nas esferas política e econômica e, pela primeira vez, deixaram de ser anônimos.

O período entre guerras.

Este período será a antecâmara e, portanto, a origem da interpretação tal como a conhecemos hoje. O papel do intérprete de conferência surgirá e a relevância da profissão atingirá o seu auge histórico.

Sua gênese, portanto, pode ser encontrada na Primeira Guerra Mundial. É neste momento que surge uma necessidade urgente de pessoas que possam servir de elo entre unidades militares que falavam línguas diferentes. Então, apareceram os “intérpretes” de guerra, cujo papel será crucial no curso da guerra. Alguns deles atuaram como mediadores na Conferência de Paz de Paris em 1919, na qual os representantes dos quatro países vencedores se reuniram para discutir uma série de questões que culminaram com o conhecido Tratado de Versalhes e a fundação da Liga das Nações.

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Os intérpretes de guerra são essenciais durante as guerras e as conferências de paz.

Nestas reuniões, o inglês e o francês serão considerados línguas oficiais e os “intérpretes” serão responsáveis pela transmissão dos discursos dos oradores através da interpretação consecutiva. O papel destes intérpretes será crucial e, pela primeira vez, os seus nomes ficarão na história e a importância da profissão de intérprete será elevada. Um deles, Antoine Velleman, fundará mais tarde a Escola de “Intérpretes” de Genebra, e outro, Jean Herbert, será encarregado de recrutar a primeira equipe de intérpretes profissionais para a primeira Assembleia Geral da então Liga das Nações.

Em 1926, foi emitida a primeira patente de equipamento de “interpretação simultânea”. O sistema será chamado de “Hushaphone Filene-Finley IBM” e será usado pela primeira vez na Conferência Internacional do Trabalho de 1927. Subsequentemente, as assembleias da Liga das Nações de 1931 e 1932 tentaram testar a validade do processo de interpretação simultânea, embora o sistema só termine dez anos mais tarde.

Os Juízos de Nuremberg e a “Interpretação Simultânea”.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, as Nações Aliadas empreenderam uma série de processos judiciais com o objetivo de determinar e sancionar as responsabilidades dos líderes, funcionários e colaboradores do regime nacional-socialista de Hitler. Este processo, conhecido como os Julgamentos de Nuremberg, envolveu os quatro países vitoriosos e derrotados: os Estados Unidos, Grã-Bretanha, União Soviética e França, por um lado, e Alemanha, por outro. Não surpreendentemente, diante de tal diversidade linguística, a eficácia da interpretação consecutiva foi posta em questão, a que também previa uma duração infinita.

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Nos juízos de Nuremberg foi utilizada a interpretação simultânea e nasceu a profissão de intérprete de conferência.

Por conseguinte, foi proposta a utilização do método da “interpretação simultânea”, que acabaria por ser o método escolhido e daria origem ao bem conhecido oficio deintérprete de conferência.

Evidentemente, desde então até hoje, a evolução e desenvolvimento deste tipo de “interpretação” tem sido surpreendente, não só em termos dos elementos utilizados atualmente para realizar esta tarefa (cabinas, microfones, equipamentos), mas também em termos da preparação, formação e profissionalismo dos nossos colegas “intérpretes”.

Todos os dias, o trabalho de milhares de intérpretes em todo o mundo preenche páginas neste livro dinâmico e infinito que representa a História da Interpretação.

Por Beatriz Puerta

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No cérebro de um intérprete que acontece? Neurocientistas opinam

post  08 /10 /2019

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Os neurocientistas têm pesquisado há décadas e têm produzido numerosos estudos sobre falantes multilíngues,“tradutores e intérpretes”.

No entanto, entender esse processo, o de interpretação simultânea, é um desafio científico ainda maior.

Há tantas coisas que acontecem no cérebro de um “intérprete” que é difícil saber por onde começar.

Apesar das dificuldades, recentemente, um punhado de entusiastas aceitou o desafio e há uma região do cérebro, o núcleo caudado, que tem atraído especialmente a atenção desses cientistas.

Esta não é uma área especializada em linguagem; os neurocientistas sabem disso por causa do papel que ela desempenha em processos como a tomada de decisão ou confiança.

Ele é mais como um maestro de orquestra, coordenando a atividade de muitas regiões do cérebro para produzir comportamentos surpreendentemente complexos.

Isso significa que os resultados desses estudos de desempenho parecem nos levar de volta a uma das ideias mais importantes que surgiram da neurociência nos últimos 20 anos.

É agora claro que muitas das nossas capacidades mais sofisticadas são possíveis, não devido a regiões especializadas do cérebro dedicadas a tarefas específicas, mas devido à coordenação muito rápida entre as áreas que controlam as tarefas mais gerais.

Tarefas como movimento e audição.

Parece que a interpretação simultânea só é possível graças à conexão interna Presente nos nossos cérebros.

Mas se procurarmos compreender o que acontece no cérebro de “tradutores como  Maria Cristina Achcar, tradutora, intérprete espanhol m- português”, é ainda mais intrigante; pois consegue interpretar e simultaneamente escrever uma mensagem ou e-mail, ou buscar um termo no dicionário, por exemplo. Isso parece acontecer porque quanto mais exigimos do cérebro, mais ele responde, é um mistério que a ciência parece ainda não ter conseguido decifrar

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Um terço da população mundial entende inglês

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El idioma Inglês é, sem dúvida, o mais usado nos negócios e pesquisas.

Admite-se que mais de um terço da população mundial entende inglês. O inglês para negócios vem conquistando as esferas econômicas em nível internacional. O inglês é também uma das línguas oficiais de muitas organizações internacionais.

Os exemplos incluem as Nações Unidas, a União Europeia, a Organização Mundial do Comércio e a Organização do Tratado do Atlântico Norte. O uso do inglês é comum em muitas áreas. Em todo o mundo, a língua de Shakespeare é inevitável, tanto administrativa como comercial e financeiramente.

Por outro lado, o seu papel na sociedade e na educação está se tornando cada vez mais predominante.

 A multiplicação de escolas bilíngues que ensinam tanto na língua materna como em inglês e o seu ensino desde as primeiras idades até à universidade é prova disso; seja qual for o país em que você decida começar seu negócio, no Reino Unido, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia ou ainda qualquer outro país onde você não saiba o idioma(como países asiáticos e até árabes por exemplo), ter um bom domínio do inglês o ajudará no seu caminho para o sucesso.

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Um Feliz Dia do Tradutor!

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Rompemos barreiras para conectar ideias e culturas; levamos conhecimento a pessoas que sem nossa ajuda não teriam contato com esse tema ou texto; fazemos o trabalho silencioso, aquele que ninguém vê; estudamos durante anos para que todo nosso conhecimento seja posto à prova em questão de segundos
Traduzimos. Isso é o que fazemos. 
Tarefa que não pode ser feita amadoramente ou simplesmente em forma automática. Requer tempo e dedicação, além de responsabilidade e muito estudo
Desejo a todos os meus colegas, parceiros, amigos que compartilham desse ofício e durante os últimos 15 anos vêm me acompanhando nessa jornada um Feliz Dia do Tradutor!

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Prof.Cristina Achcar tradutora intérprete

 

30 de Setembro Dia do Tradutor

 

Traduzir e interpretar deveria ser considerado insalubre?

O trabalho de “tradutor ou intérprete” bem poderia figurar na lista de trabalhos que se destacam pelo nível de estresse e pressão que produzem; já que sofremos física e mentalmente a pressão de entregar um resultado(muitas vezes imediato) como no caso da “interpretação”.

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Vejamos a opinião da colega Espanhola TRIDIOM
Mcatrad.

El “Traductor o intérprete” también debería entrar en la lista de aquellos trabajos que pueden hacerte sufrir física y mentalmente.
Si tú mismo te dedicas al sector de la “traducción” entenderás perfectamente de qué hablamos y seguramente estarás asintiendo con la cabeza mientras lees este post; pero si no eres cercano al trabajo de traductor o intérprete y no das crédito a que califiquemos estas profesiones como “arriesgadas”, vamos a explicarte los motivos que nos llevan a tal afirmación.Tanto “traductor” como “intérprete, son personas encargadas de transmitir un mensaje de un individuo a otro, por lo que la responsabilidad de transmitirlo de manera fidedigna es crucial, especialmente porque suelen ser mensajes relevantes.

Imaginemos, por ejemplo, “intérpretes y traductores” de cualquier cumbre internacional, que han de transmitir mensajes con fuertes implicaciones políticas. Pueden influir en millones de personas e incluso en el transcurso de la historia y un error en el mensaje o en la forma puede llegar a provocar un enorme problema.
De la misma manera, puede que el mensaje que el cliente pide al “traductor/intérprete que transmita sea una mentira o alteración del original. En este caso, si es una traducción jurada es totalmente ilegal; pero si no es jurada, el traductor/intérprete” no está obligado a nada, por lo que la disyuntiva moral queda patente.
En el mundo del “Traductor/intérprete” hay mucho freelance. Esto genera que la tarificación no responda a ningún sistema y que los precios fluctúen a capricho de oferta y demanda, y en ocasiones personas que necesitan con urgencia realizar trabajos bajen mucho sus tarifas y acaben arrastrando al resto de profesionales.

Por supuesto, ser freelance o autónomo en nuestro país es un riesgo por sí solo: afrontar los altísimos pagos de impuestos, independientes del dinero que se consiga facturar, la cantidad de obligaciones legales con multitud de administraciones y los conocimientos de fiscalidad, derecho administrativo, laboral, de marketing y un largo etcétera con los que hay que contar.

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Los plazos de entrega, que normalmente suelen ser ajustados, acaban por convertir la vida de un traductor en una continua cuenta atrás digna de cualquier película de acción.
“traductor o intérprete”
Un “traductor, al igual que un intérprete”, tiene que dominar los temas que traduce o interpreta, para conocer sus tecnicismos y la jerga adecuada. Eso implica saber mucho de muchos temas y en múltiples idiomas, una tarea de formación contínua que exige un sacrificio notable.
Por último, y si no te han parecido suficientes razones para hacer que se dispare la frecuencia cardiaca de cualquier individuo al desempeñar estar labor; cuando la “interpretación” tiene un impacto mediático y se cometen fallos, estos toman una difusión mucho mayor que cuando otra persona comete un error en su profesión habitual. Para más explicación un ejemplo, y evitándo al ya clásico “supuesto intérprete de signos” de Obama en la ceremonia por la muerte de Nelson Mandela, queremos exponer un ejemplo más actual.
La “interpretación” deportiva, es un error patente que la “intérprete” desconozca el tema, porque le impide hacer bien su trabajo.
Si te ha gustado el contenido, ¡compártelo!
El raductor o intérprete t debería entrar en la lista de aquellos trabajos que pueden hacerte sufrir física y mentalmente.

TRIDIOM

mcatrad

“INTÉRPRETES E TRADUTORES”

Você Sabia? Qual foi o primeiro dicionário?

 

 

Uma ferramenta indispensável para quem trabalha com tradução ou interpretação: o dicionário.

Nunca paramos para pensar quais foram os primeiros, ou como surgiram.

Nesta matéria da revista Superinteressante, descobrimos quais foram os primeiros dicionários, quem os organizavam e quais idiomas atendiam.

Vale a pena ler um pouco mais sobre essa ferramenta tão utilizada por profissionais da tradução e interpretação e que nunca “sai de moda”, afinal sempre vamos nos deparar em algum momento, em alguma leitura, com alguma palavra que nos faça duvidar do seu significado, ou talvez que nos desperte a curiosidade de saber como será o termo equivalente em outra língua.

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Qual foi o primeiro dicionário?

Márcio Ferrari

(Cícero Henrique da Silva, Lajedo, PE)

A partir do século I d.C., os gregos criaram os lexicons, que também serviam para catalogar os usos das palavras de sua própria língua ¿ mas dicionários como conhecemos hoje só surgiram .

Os mais antigos precursores de que se tem notícia são tabletes em escrita cuneiforme da civilização sumeriana, da antiga Mesopotâmia, datados de cerca de de 2600 a.C. “Eram repertórios de signos, com nomes de profissões, de divindades e de objetos usuais, que funcionavam como dicionários unilíngües”, diz a lexicógrafa Ieda Maria Alves, da USP. A partir do século I d.C., os gregos criaram os lexicons, que também serviam para catalogar os usos das palavras de sua própria língua – mas dicionários como conhecemos hoje só surgiram durante o Renascimento, começando pela tradução das duas línguas clássicas para os idiomas modernos. “Quando o conhecimento do latim e do grego antigos começou a rarear, a leitura da Bíblia foi se tornando mais difícil, tornando necessários os dicionários bilíngues”, afirma o filólogo Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras.

O mais célebre volume dessa época foi organizado pelo monge italiano Ambrogio Calepino (c. 1435-1510) e publicado em 1502. Tratava-se de um volume latim-italiano que, em edições posteriores compiladas por outros dicionaristas, passou a incluir até 11 línguas. O livro ficou tão famoso que o termo calepino acabou se tornando sinônimo de “dicionário”, da mesma maneira como se diz “aurélio” hoje no Brasil.

fonte superabril

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La Divina Comedia ¿Cómo surge el proyecto de traducir una obra tan compleja?

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Cuenta la leyenda literaria que el general Bartolomé Mitre, durante la guerra del Paraguay, dedicaba las horas vacías de los largos días sin combate a la traducción de la Divina Comedia. En una de aquellas bochornosas tardes en el monte, un oficial entró en la tienda de campaña del militar y al verlo sumergido entre diccionarios y hojas desparramadas, con curiosidad, inició el siguiente diálogo:
–¿Qué anda haciendo, mi general?
–Aquí me ve, traduciendo al Dante.
–Hace bien, a esos gringos hay que darles con todo.
La anécdota, probablemente apócrifa, circuló a lo largo del siglo en un puñado de variantes que alteraban el contexto y los interlocutores de Mitre, pero no el insidioso remate. Por su parte, el trabajo de Bartolomé Mitre inició una tradición de traducciones de la Comedia en el Río de la Plata, a la que se suma por estos días la de Antonio Jorge Milano editada por Grupo Editor Latinoamericano. La primera edición de la traducción de Bartolomé Mitre se publicó en 1889 con el título El infierno de la Divina Comedia. En su prólogo, Mitre señala dos causas que lo impulsaron a comenzar la tarea. Por un lado, una necesidad personal (su trabajo es el resultado de cuarenta años de relecturas obsesivas del texto). En segundo término, en un gesto de dantesca autosuficiencia destaca lo que considera una carencia objetiva: no existen traducciones en español dignas de la obra. En este punto Mitre era particularmente crítico de la traducción española de Pezuela, de moda hacia finales del siglo diecinueve.
Con una entonación más modesta, Angel Battistessa alcanzó el punto más alto del recorrido de Dante por las pampas y probablemente uno de los más altos en la lengua española. Su traducción, proyectada en 1965, año en que se cumplieron los 700 años del nacimiento del poeta, se publicó en su versión definitiva en 1984. Su edición bilingüe, ricamente ilustrada, enfrenta el texto original italiano con la nueva versión y elige los tercetos de endecasílabos, que sólo se verán alterados en su metro cuando el sentido del verso peligre. De esta manera, la traducción resulta bella, poética y clara, al mismo tiempo.
A fines del año pasado Antonio Jorge Milano publicó una cuidada edición en tres volúmenes, que repite la amabilidad de confrontar el texto original y ofrece un exhaustivo sistema de notas al final de cada capítulo. En cuanto a las ilustraciones, Milano recupera un puñado de ilustraciones clásicas (Botticelli, Gustave Doré o William Blake) y agrega algunas nuevas de artistas contemporáneos, como las de Oscar Capristo, María Cristina Criscuola y Clelia Speroni.
¿Cómo surge el proyecto de traducir
una obra tan compleja?
–La Divina Comedia siempre me pareció una obra fundamental. La dificultad que encontré en mi propia lectura fue que la erudición de Dante puede ser un problema para los lectores que se enfrenten con la obra: cita muchísimas cosas sobre todo históricas, políticas, religiosas, contemporáneas a él y anteriores, que hacen que el lector se desanime. Puesto en ese papel de lector, decidí hacer una lectura minuciosa, para mí, de la que surgieron mis propias notas y luego, como corolario, la traducción, que fui haciendo a medida que leía el texto.
Usted habrá leído la traducción de Mitre, que en uno de sus prólogos explica las motivaciones personales y critica mucho las traducciones anteriores. ¿Por qué consideró usted necesaria una nueva traducción y qué opinión tiene de las traducciones anteriores?
–Mire, no soy tan presuntuoso como para considerar que era necesaria una nueva traducción y, sobre todo, la mía. Con respecto a la traducción de Mitre, tiene algunos méritos y deméritos. La de Battistessa (Buenos Aires, Asociación Dante Alighieri, 1984) es quizá la más meritoria. Aunque es irregular y personalmente me parece que en algunos momentos logra su objetivo y en otros no. Tengo la impresión de que su traducción refleja que fue hecha en distintos momentos y en un período muy largo. Mi traducción fue hecha en continuidad: ningún día dejé de trabajar en ella.Traducía aunque fuera diez minutos, cada día, hasta durante los viajes: me acuerdo de haber traducido parte de un canto del Infierno en un hotel en Uruguay. Me gusta una traducción de Montes de Oca, una traducción mexicana, que editó Porrúa. Es una traducción en prosa que me parece muy buena. Hay una española, de Crespo, que es en verso y que no me gusta. La traducción en verso es azarosa: en una traducción, conseguir el verso y la rima, en tercetos y endecasílabos, es una hazaña.
Es la hazaña que intenta Mitre con resultados desiguales. El texto original es una obra escrita originalmente en tercetos encadenados con una rima estricta. En su prólogo usted explica que optó por “tercetos ritmados”. ¿Cómo resolvió ese primer problema?
–Conociendo la medida de mis fuerzas no decidí de ninguna manera hacerlo rimado. Lo ritmado (medida intermedia) tiene como objetivo poder enfrentar bien los versos del texto en la lengua original con la traducción. Hacer esos endecasílabos ritmados me permitió conservar el terceto, enfrentado con el terceto italiano. A mí me gusta, creo que a los lectores con un poco de conocimiento de otra lengua también, confrontar el verso italiano con el verso castellano. Muchas veces para corroborar lo que uno sabe de la otra lengua o para, con cierta malicia, tratar de ver qué errores cometió el traductor.
Un segundo problema es a qué español se va a volcar el texto original. Mitre anuncia en el prólogo que va a emplear el español del siglo XV, por considerarlo el más cercano al italiano de Dante. Después, en las sucesivas reediciones –hace cuatro reediciones en cuatro años y llega a corregir 1400 versos–, va dejando de lado esa decisión.
–Creo que la de Mitre fue una decisión errónea. Considero que hay que traducir al castellano contemporáneo y en el caso del Río de la Plata, cuidarse mucho de no hacerla en español peninsular.
Cuando un traductor se enfrenta a un texto antiguo tiene dos problemas a resolver: el primero es traer ese texto al momento en el que está traduciendo, a una lengua y un horizonte conceptual contemporáneo. En segundo lugar, el de recuperar el contexto histórico y lingüístico en el que la obra fue escrita. Esto último da como resultado muchas traducciones de textos clásicos llenas de arcaísmos, latinazos y neo-arcaísmos. Mitre, al referirse al incendio de Troya, traduce la “Ilión combusta”: cuanto más se acerca a las llamas que abrasaron a Ilión, más se aleja de la semántica española. Entre esas dos opciones, la de traer el texto para que sea ágil a la lectura de un contemporáneo y la de recrear el momento en el que fue escrito, Milano se inclina por la primera: “La elección por la contemporaneidad del autor, tratar de reproducir el momento histórico de la lengua siempre es artificial. Se puede lograr una mejor traducción en la lengua contemporánea. Generalmente las otras opciones no resultan bien, como no le resultó a Mitre”.
Antonio Jorge Milano, médico psiquiatra de profesión, demuestra que, en este trazado histórico por la suerte de Dante en el Río de la Plata, para traducir la Divina Comedia se puede ser General en plena campaña o médico cruzando el Río de la Plata.

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